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sábado, 21 de agosto de 2010

A ARTE DE ROBERTO MENEGHINI - UM TEXTO DE GERALDO SANTOS PEREIRA (Jornalista, Escritor e Cineasta)

Roberto Meneghini Salgarello, que se assina, artisticamente, R. Meneghini, nasceu em Albuquerque, Novo México, nos Estados Unidos, em 01 de agosto de 1966, mas é brasileiro por sangue, amor, identidade e vocação.

Engenheiro eletricista, formado pelo CEFET-MG, especialista em Administração de Marketing pela FUMEC-MG, adquiriu experiência de publicidade, ao iniciar sua carreira como Lay outista e Arte finalista em agências de propaganda, além de ter sido desenhista de camisetas. Também trabalhou em gráficas e empresas jornalísticas de grande circulação como o "Estado de Minas" e "Folha de São Paulo".

Estes dados biográficos são importantes para se conhecer a formação profissional de um artista. Mais importante, contudo, é aferir-se seu ingresso na vida artística, sua intimidade com a pintura e, principalmente, as influências e os caminhos que o levaram ao amadurecimento técnico e criativo.

R. Meneghini começou a pintar óleo sobre tela aos 13 anos. Por volta de 1991-1992, estudou e trabalhou com Selma Weissmann, realizando obras em acrílico sobre tela e papel texturizado. De 1992 a 1996 pintou mais óleo sobre tela sob a orientação de seus mestres Euclides e Marcelo Bottaro. Nos dias atuais, confessou-nos o pintor, está aglutinando estas experiências e investindo em uma nova técnica, a aquarela.

Perguntamos a Roberto quais suas maiores admirações no mundo da pintura. Ele não hesitou e colocou em, primeiro lugar, Van Gogh e, em seguida, os mestres do Impressionismo, como Monet, Modigliani, Renoir, Matisse e outros mais como o cubista Pablo Picasso.

- E entre o s brasileiros?- quisemos saber.

E Roberto Não hesitou em indicar Juarez Machado, Portinari, Inimá, Iara Tupinambá.

Depois do aprendizado vieram na vida de Roberto a experimentação, a busca de caminhos próprios e do estilo, o trabalho, principalmente o trabalho, pois é sempre através dele que o artista encontra a essência de sua arte e adquire os meios técnicos para "revelar pelo visível o invisível" e exprimir na tela o que vê, se emociona, inventa e imagina. E é sempre pelo trabalho, com diz Fléxa Ribeiro, que o artista apreende os dois sentidos as forma: "a externa, que é estática, e a interna, que é dinâmica, qualitativa, e que gerada daquele movimento, dá pelo modelado interno a sensação de vida àquela unidade inerte".

O respeitado autor de "História Crítica da Arte" ensina também que "pela luz e pela cor, o movimento faz nascer a forma. Com tal conteúdo, o corpo se define pelas linhas que o limitam. E pelo modelado, nas aparências irreais, luminosas e crômicas, a expressão aparece inatingível, impalpável, mas real."

"O artista – escreve Pierre Poirier – pelo golpe de olhar, entra em contato direto com o objeto e nos fornece os elementos recompostos da sensação visual". Roberto Meneghini, além da sensação ótica que sua obra instiga, também nos sugere o amor da vida, o combate da matéria e do espírito, tornando tangível pelo realismo do desenho e o calor do colorido". Dürer observa que Van Eyck criava uma pintura "inteligente", sabendo que o realismo é o caminho do espírito". E este caminho também é trilhado por Meneghini.

Na obra já realizada por nosso jovem pintor observa-se igualmente uma busca incessante de expressão plástica, tanto no inanimado, como o da realidade que se modifica constantemente no tempo e no espaço. Quando se observa um vaso de flores, que Roberto pinta com grande beleza, não se pensa em "natureza morta", mas em coisa viva, bela, de realidade transfigurada.

Vendo e apreciando os quadros de R. Meneghini, o público, que ele vai conquistando a cada exposição que realiza, empreende esta "viagem miraculosa da treva para a luz, e da luz para a treva", lembrada por Fléxa Ribeiro.

As anos de trabalho com José Euclides Bottaro conduziram Meneghini para o Impressionismo e os caminhos do antiacademicismo e o inconformismo, aguçando-lhe a sensibilidade frente a natureza e ao modelado humano, lembrando Monet, que se definia como um pintor que "pinta como os pássaros cantam". Mas não só a natureza inspira e perturba Roberto Meneghini . Também o corpo, o rosto humano, com suas expressões, o olhar de sofrimento e mistério, as grandes e pequenas alegrias encontram-se na obra de nosso pintor que, além de pintor, e um excelente pintor, é também um pensador que se exprime através da arte.

Geraldo Santos Pereira (em abril de 1997)

5 comentários:

  1. Que lindo!!! Tudo lindo, do jeito que eu gosto, e do jeito que vc gosta!! Parabens, mano!! bjs

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  2. "...Mas não só a natureza inspira e perturba Roberto Meneghini . Também o corpo, o rosto humano, com suas expressões, o olhar de sofrimento e mistério..."

    Vero! Belo...

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  3. Eu tenho uma pintura em preto e branco de um Meneghini da decada de 1977, a assinatura aparenta ser J (?) Meneghini. Seria parente?

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    Respostas
    1. Não tenho notícia de tal Meneghini. Se puder enviar uma foto ou informar onde foi adquirido o quado posso ter uma melhor idêia. Um abraço e obrigado pelo comentário.

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  4. Quro dizer "idéia" erro de digitação...

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